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fazer poesia é uma forma de jardinagem:
manipular as plantas, as coisas vivas.
umas fenecem,
outras surpreendem-nos ao acordar,
pela carne que discretamente desenvolveram durante a noite,
pelo tacto de veludo, pela luz que parece vir do seu centro.
às vezes, há uma flor que pende no meu escritório, e eu diria perdida.
e subitamente, a mesma flor ressurge no canteiro da varanda, no lado oposto da casa.
fazer é polinizar, provocar efeitos,
mas nunca se sabe para que tempo, nem a que distância.
envio carlos machado, poesia.net
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